Na época em que as burguesias mercantis começam a surgir e a imporem-se à economia feudal, as cidades começam a albergar uma grande concentração de comerciantes. A acumulação monetária e a intensificação das trocas, aliadas ao interesse das burguesias no rompimento das barreiras feudais, na livre circulação de pessoas e bens e na rápida troca de informações, fazem com que se começasse a sentir a falta de um instrumento de difusão larga e rápida de mensagens que possibilitasse um intercâmbio de informação sobre assuntos comerciais.

A reunião destas condições económicas e sociais é responsável por João Gutemberg, por volta de 1440, ter criado um sistema de letras móveis em metais que viria a dar um incremento notável e fundamental à arte da impressão. As letras eram fundidas em série e agrupadas de modo a formar palavras, linhas e páginas que, depois de tintadas, eram comprimidas contra o papel, numa prensa de madeira. Podia-se então produzir, em poucas horas, um número considerável de páginas que equivaleria, noutros tempos, a alguns meses de trabalho dos copistas. A Imprensa nascia e proporcionava uma nova fase na divulgação dos livros e das publicações periódicas. Portugal acompanhou a expansão da Tipografia e parece ter sido em 1487 que a arte da impressão se implantou. Lisboa, Faro e Leiria foram as cidades de onde, entre nós, saíram os primeiros livros.

O incremento da Imprensa de Massas foi favorecido pelas mudanças sociais, económicas e técnicas que se fizeram sentir aquando da Revolução Industrial. Os trabalhadores deixaram os campos e aglomeraram-se nos centros urbanos, destruindo o conceito tradicional de Família onde as condições de vida eram bastante precárias. A necessidade de algo que Ihes preenchesse o vazio e proporcionasse distracção, entretenimento e orientação moral começa a ser sentida. Por isso, depressa se formam círculos de leitores onde o número de elementos se multiplicava a todo o instante. Esta é uma altura também caracterizada pelo alargamento da formação escolar o que permitiu um maior número de pessoas capacitadas para a leitura. A burguesia, em plena ascensão, conquistou um espaço público e passou a estar presente nas decisões políticas. Isto levou a que, a meados do século XIX, fossem abolidas as disposições gerais da censura, o imposto de selo e quaisquer outros obstáculos que travassem a evolução da Imprensa.

Na segunda metade do século XIX atraíam leitores as notícias da bolsa e do comércio; as notícias políticas escaldantes obtidas por meio de reportagens actuais; os romances em episódios que apaixonavam quem lia, estimulando a sua compra regular. As revistas realçadas pelo progresso da fotografia e das técnicas de ilustração conseguiam um sucesso parecido ao dos jornais. Visavam oferecer entretenimento e dar conta dos acontecimentos importantes por meio da imagem. Mas, não eram apenas os jornais e revistas que iam ao encontro das necessidades da população. Em dimensões muito mais limitadas, os livros, reduzidos a livros de bolso, apareciam em 1880 e permitiram o acesso a muitas obras de Literatura e da Ciência.

A Imprensa, transformada a cada dia que passa, tornou-se numa mercadoria que vai ao encontro dos desejos dos leitores, tentando sempre criar outras necessidades e surpreender as suas expectativas. No entanto, a Imprensa não é apenas um veículo de notícias mas ainda um instrumento eficiente e eficaz que, em muitas partes do mundo, modela a opinião pública em função de interesses económicos e políticos.
